Brasília, 25 de Maio de 2013

A Educação à Distância e a Administração no norte do Brasil

 

A educação vem sofrendo muitas transformações e foi bastante relevante o processo de evolução educacional no Brasil, desde a implementação do “ensino” jesuíta aos cursos profissionalizantes iniciados na gestão de D. João VI, passando pela constituição de 1937 até o reconhecimento da Educação a Distância (EaD) pela legislação vigente. Tais transformações foram ainda pontuadas pela utilização do correio, do rádio e da televisão em nosso meio, assim como o advento da internet, que por sua vez possibilitou o encurtamento da distância entre professor e aluno, resultando, portanto, de modo dinâmico, na bidirecionalidade do processo educacional.

No Brasil, os cursos a distância começaram a ser observados no ano de 1937 com a criação do serviço de Radiodifusão Educativa, seguido pelo Instituto Universal Brasileiro que utilizava material impresso e, posteriormente, as fitas de vídeo como material complementar. Em 1965 o poder público criou a TV Educativa e, no final da década de 80 a Fundação Roberto Marinho colocou no ar o Telecurso, proporcionando uma expressiva formação e acabando por incentivar a criação de cursos à distância.

Em 1998, foi regulamentado as bases legais da EaD pelo então Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. Sendo estabelecidas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n.º 9394, de 20 de dezembro de 1996), pelo Decreto n.º 2494, de 10 de fevereiro de 1998 (publicado no D.O.U. DE 11/02/98), Decreto n.º 2561, de 27 de abril de 1998 (publicado no D.O.U. de 28/04/98) e pela Portaria Ministerial n.º 301, de 07 de abril de 1998 (publicada no D.O.U. de 09/04/98).

Com a atual difusão das Tecnologias de Informações, o diálogo entre aluno/professor ocorre mediatizado por diversas ferramentas de comunicação que proporcionam saberes que são compartilhados. A internet através dos protocolos usados para permitir o acesso remoto (WWW, E-mail, Telnet e outros) propiciou a melhora dos cursos.

O docente passou a ocupar uma nova posição, fato que impulsionou a revisão do paradigma que o colocava no centro do processo de ensinar e aprender. Desta forma, observamos a redução das barreiras de acesso, maior oferta de cursos e permanência do aluno em seu ambiente natural.

A EaD difunde a informação para os discentes por meio de outros canais que fogem ao tradicionalismo, retratando consequentemente a desigual escolarização do país, refletindo ainda os problemas existentes em nosso sistema educacional, os quais tendem e ser solucionados à luz da utilização dos novos meios de comunicação que se colocam a serviço da redução da distância entre o saber e aqueles que ainda não tiveram a possibilidade de ter acesso a uma educação mais digna. Com o impulso da EaD e dos programas educacionais vem se observando o crescimento da educação, em especial a superior.

Dados divulgados em novembro de 2011 pelo Censo da Educação Superior referente ao ano de 2010 mostraram que o curso de Administração é o que apresenta o maior número de estudantes no Brasil num total de 705.690. A lista da sequência com Direito tendo 694 mil, Pedagogia com 297 mil, Enfermagem contendo 244,5 mil e Ciências Contábeis somando 244,2 mil. Os números referem-se apenas às matrículas dos cursos presenciais, que totalizam 3,1 milhões de estudantes.

O MEC informou que das matrículas de graduação no ensino superior do país a EaD correspondem a 14,6% das matrículas. O número de estudantes em busca do diploma atingiu 6.379.299 alunos em 2.377 instituições de ensino superior, que oferecem 29.507 cursos tendo como primeiro no ranking o curso de Administração.

As regiões Norte e Nordeste registraram um aumento do número de estudantes no ensino superior entre 2001 e 2010, porém o Sudeste ainda é responsável por 48,7% das matrículas. O Sul fica com 16,9%, o Centro-Oeste concentra 9,1% e o Norte e o Nordeste, 6,5% e 19,3%, respectivamente. Em 2001, representavam 4,7% e 15,2% do total.

Na região Norte, em especial no estado do Pará são 27 Instituições de Ensino Superior que ofertam os cursos de Bacharelado em Administração e Tecnológicos sendo eles presenciais ou a distância. Dados relatados pelo presidente do CRA-PA, Adm.: José Célio Santos Lima. Preocupado com a melhoria da qualidade do ensino o Conselho Federal de Administração e seus Conselhos Regionais fizeram parceria com o Ministério da Educação para propor melhorias nos cursos de Administração fato o qual já vem surtindo efeito desejado.

O ex-ministro da Educação, Fernando Haddad comentou que o aumento da EaD só não é maior devido o governo estar desenvolvendo políticas  rígidas para que a expansão não ocorra com prejuízo da qualidade.  A pesar desse crescimento nessa modalidade de educação no Brasil, ainda pode ser considerada baixa ao se comparada a outros países em que a modalidade responde por mais da metade das matrículas nas graduações.

Em relato sobre a importância da EaD o novo ministro da Educação Aloizio Mercadante, propôs  ações  em seu ministério com objetivo de triplicar as matrículas na educação a distância em torno de aproximadamente 600 mil alunos até no ano de 2014.

Com todo esse crescimento espera-se que as Organizações Educacionais em modo geral comecem a implantar o planejamento da integração da educação presencial com o fito a garantir um ensino de qualidade para que num futuro bem próximo não precisemos mais utilizar a expressão “fiz curso a distância, e sim fiz um curso”. Na qual a EaD se torne uma modalidade natural de educação e seja vista no mesmo nível da educação presencial.

No mercado competitivo da educação sairá na frente às organizações que se adequarem nesse novo processo de educação em que se estabeleça um cenário completo e detalhado de funções, atividades, prioridades funcionais e ações estratégicas que possam fazer a diferença no processo de ensino de qualidade na modalidade EaD.

 

REFERÊNCIAS

 

ALMEIDA, Maria Elizabete Biancocini. Educação, ambientes virtuais e interatividade. In: SILVA, Marco (org.). Educação online: teorias, práticas, legislação e formação de professores. Rio de Janeiro: Loyola, 2003.

 

BELLONI, Maria Luiza. Educação a distância. 3. ed. Campinas: Autores Associados,2003.

 

BRASIL. Ministério da Educação. Ministério da Educação: Secretaria de Educação Superior. Disponível em:<http://portal.mec.gov.br/sesu/arquivos/pdf/EAD.pdf>. Acessado em 27/11/2011.

CHAVES, Eduardo O. Ensino a distância: conceitos básicos. 1999, p. 2-12. Disponível em: <http://www.edutec.net/Tecnologia%20e%20Educacao/edconc.htm#Ensino%20a%20Dist%C3%A2ncia>. Acessado em 28/11/2011.

CIEGLINSKI,Amanda. UOL Notícias. Educação a distância já responde por quase 15% das matrículas no ensino superior. Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/educacao/2011/11/07/educacao-a-distancia-ja-responde-por-quase-15-das-matriculas-no-ensino-superior.jhtm>. Acessado em 26/11/2011.

CRA PA –Conselho Regional de Administração do Pará.Instituições de Ensino Superior. Disponível em: <http://www.crapa.org.br>. Acessado em 26/11/2011.

 

MASETTO, Marcos T. Mediação pedagógica e o uso da tecnologia. In: Novas tecnologias e Mediação Pedagógica. Campinas: Papirus, 2000.

 

MORAN, José Manuel. A educação que desejamos: Novos desafios e como chegar lá. Campinas, SP: Papirus, 2007.

 

WICKERT, Maria Lúcia. O futuro da educação a distância no Brasil. ed. Moderna, 1999.

 

 

 

Adm. Esp. Gleyson Reymão
CRA-PA 9581

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